Ponta de lança italiano





Com motor V8 de Ferrari, GranCabrio chega ao Brasil para poucos compradores
Beleza e charme nunca faltaram aos carros da Maserati. O GranCabrio não foge da regra. Tanto que vai além dela. Primeiro conversível quatro lugares da fabricante italiana, que em 2014 celebrará 100 anos, o modelo completa o tridente da marca com o Quattroporte e o GranTurismo. À venda por elevados R$ 880.000, o lançamento é uma joia rara para pouquíssimos compradores.

A Via Itália, importadora oficial da Maserati no Brasil, projeta vender 15 unidades do esportivo até o final do ano. “Quem compra uma Maserati é muito diferente. Pode muito bem adquirir uma Ferrari, mas em nome da exclusividade opta pelo lado exótico dos carros de Modena”, afirma Milton Chameh, consultor técnico da empresa representante.

O GranCabrio é grande. A impressão é maior ainda de perto. São 4 881 mm de comprimento, sendo 2 942 mm apenas de distância entre-eixos. É a famosa “barca”, ou se preferir chame de “lancha”. E de altíssimo luxo e muito rápida. Com esse tamanho todo, o interior é amplamente beneficiado. Não é apertado como um VW Eos ou um Porsche 911 Cabriolet. Há espaço de sobra para quatro ocupantes viajarem por longas distâncias sem problemas, com capota aberta ou fechada. Mas o porta-malas é minúsculo, tem apenas 173 litros.

Falando na capota, o item de acionamento elétrico é confeccionado com oito tipos de tecidos, que melhoram o isolamento acústico e térmico, e armação de alumínio. As operações de abrir ou fechar o teto levam 28s. É possível ainda escolher as cores interna e externa do teto, criando contraste com a cor da carroceria, deixando o carro ainda mais bonito.

Dirigir o GranCabrio, ao contrário do que se pensa desse tipo de automóvel, é extremamente fácil. Ele é um legítimo esportivo, mas se comporta com tranquilidade. O bloco 4.7 V8, desenvolvido pela Ferrari, tem 440 cv a 7.000 rpm e 50 kgfm de torque a 4.750 rpm e vai ligado a transmissão ZF semi-automática de 6 velocidades. O ruído do motor é maravilhoso, um misto de batidas metálicas com o burburinho do escapamento que somente um legítimo 8 cilindros em V italiano emite em marcha lenta. Passeando em baixa velocidade por São Paulo, experimento uma acelerada mais forte. Dou três tapas na borboletona atrás do volante e passo da 5ª marcha para 2ª e o carro dispara com muita força. Quem não o vê passando, certamente ouviu seu ronco altíssimo reverberando nas paredes pelos arredores.

A sensação de guiá-lo é única, ainda que os bancos da frente poderiam ter apoios laterais mais pronunciados, como os de Ferrari. Em curvas mais rápidas o corpo acaba escapando do assento, mas o carro não sai do trilho. Para ficar ainda mais emocionante, Chameh sugere o ASR e MSP desinserito (controles eletrônicos de tração e estabilidade desligados) e o modo Sport. Nessa condição, o GranCabrio muda radicalmente. A suspensão fica super rígida, a ponto de ser incômoda nas ruas, e o ronco do motor se torna ainda mais ameaçador.

O carro cativa em todos os sentidos e seu desempenho é empolgante. Segundo a marca do tridente, a máquina acelera de 0 a 100 km/h em apenas 5s4 e atinge a velocidade máxima de 283 km/h. Mas para atingir tal performance, a Maserati orienta seus clientes a fecharem a capota, o que diminui seu arrasto aerodinâmico de 0,39 cx para 0,35 cx.

Mas não espere muito de seu interior. Ele é luxuoso, mas não é nada de outro mundo. O design é conservador. Não tem o mesmo arrojo de um carro da Ferrari ou da Porsche, que misturam dinamicidade e modernidade. Mas isso também é uma das peculiaridades dos carros da Maserati. Ao centro, uma tela de LCD com comando touch screen engloba as funções de áudio, ar-condicionado, computador de bordo e navegação GPS, item que, entretanto, ainda não está adaptado com mapas do Brasil. A combinação de tecidos de revestimentos dos bancos e painel pode ser variada de acordo com o gosto do cliente e o relógio analógico no alto do conjunto é o ápice do conservadorismo do habitáculo. Porém, não deixa de ter seu charme.

O Maserati GranCabrio é um carro para compradores de gosto bastante peculiar. Ver um nas ruas será uma ocasião muito rara. E se de depender da ousadia de seu proprietário e o peso de seu pé direito no acelerador, vê-lo por interior, nos mínimos detalhes, será um acontecimento ainda mais incomum, dada a força do V8 ferrarista desta máquina exclusiva.


Fonte: Carro Online
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Sobre Gabrie Smisek

Editor e fundador paulistano, tem 22 anos, estudante de marketing na Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. É apaixonado por carros esportivos e preparados desde os 6 anos de idade. Aos 17 anos resolveu criar o Age Of Sport Cars para ler, escrever e informar sobre aquilo que mais gosta.

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