Supercarros: Audi R8 x Mercedes SLS x Porsche 911 Turbo







Vestidos em ternos esportivos, com os rostos distorcidos naquela mesma expressão patética de “estamos no jogo” encarnada por todos os homens quando passeiam pela Las Vegas Strip, nós três passamos pelo fervilhante e premiado hotel e cassino Bellagio e pegamos uma mesa no Petrossian Lounge, o tipo de refúgio dourado neoclássico onde um homem pode relaxar após uma longa e cansativa tarde dirigindo supercarros de 500 cavalos com ar-condicionado e aliviar seus dedos doloridos com um coquetel gelado e uma anfitriã que provavelmente faz bico à noite como sósia de Heidi Klum.

“Eu dirijo o Gullwing (apelido do Mercedes) primeiro amanhã”, diz Ed Loh, se recostando enquanto segura uma bebida. “Eu preciso de tempo para decidir se o V8 soa mais como a sala de máquinas do USS Nimitz ou como o KISS tocando Wagner durante uma tempestade.” “Na verdade, você fica com o 911 Turbo”, diz Ron Kiino limpando um pouco de caviar dos lábios. “Eu fico com o Audi R8, e o Art fica com o Gullwing. “Eu sei disso porque – ah, claro, aceito outro coquetel, obrigado – I sei disso porque 570 cavalos são demais para você. E também, não se pode ter tudo o que se quer.”

“Tudo bem, eu dirijo o Turbo com prazer”, diz Loh. “E vocês dois não vão ver nada além da minha traseira, porque meu Porsche pode ir de 0 a 96 km/h [a voz sobe em tom eloquente] apenas 2,6 seguuuuundos. Além disso, com minhas habilidades eu posso... ei, o Art ainda está aqui? Tudo o que eu vejo na cadeira dele é um copo de Martini vazio e uma nuvem de fumaça de charuto.”


Você acaba de receber as chaves de três carros esportivos alemães – que valem mais de meio milhão de dólares – capazes de reescrever pelo menos duas leis de Newton e violar cinco ou seis artigos da Constituição. Você vai à Disneylândia? Sem chances. Em vez disso, você alicia dois colegas, invadem a Cidade do Pecado e, usando o poder e fama de seu chucrute metálico, consegue um quarto mais requintado no Bellagio e mais atenção do manobrista do que a Britney Spears descendo de um Lotus Elise.

Isso também explica o porquê de Loh, Kiino e eu logo nos encontrarmos sentados no suntuoso restaurando Circo do cassino Bellagio, rodeado dos aperitivos que parecem arte moderna preparados pelo chef Massimiliano Campanari, queixos apoiados nas mãos. Viemos a Vegas para a boa vida – tentar provar a vida como o dono de uma de nossas carruagens mágicas deve vivê-la. Mas as fantasias nem sempre funcionam como imaginamos. Por exemplo: nosso plano de chegar ao reluzente cassino do Bellagio e apostar alto no bacará a noite toda – preferivelmente contra um cara chamado Le Chiffre como em James Bond.

“Em cinco minutos, perdi tudo”, eu digo, espetando um camarão. “Moedas suficientes para pelo menos fazer a lavanderia do mês.” “Isso não é nada”, Kiino retruca. “Você sabe como você é cobrado quando tira uma garrafa de bebida do frigobar do quarto?” “E daí?” “Obrigado por me avisar. Eu queria um gole e não achei meus óculos, então eu tirei todas as garrafas para olhar de perto.” “Ótimo”, diz Loh. “E você ia nos levar para ver o balé de Las Vegas torrando tudo sob Gastos Gerais.” “Veja o lado bom”, Kiino responde. “Até agora pelo menos, nenhum de nós arrancou seu próprio dente.”


Nosso lado bom não podia ser melhor. No andar de baixo, guardados em segurança para a pernoite na garagem do Bellagio, estão três carros que garantem espantar a neblina da manhã seguinte. É uma mistura inebriante: o Mercedes-Benz SLS AMG Gullwing de motor dianteiro e tração traseira, o Audi R8 5.2 de motor central e tração integral e o Porsche 911 Turbo de motor traseiro e tração integral. Motores: V8 e V10 naturalmente aspirados, seis cilindros em linha biturbo. Potência: 500 cavalos no mínimo. Velocidade: sim, obrigado. “Qualquer um rico o suficiente para possuir um desses carros teria dormido pelo menos até as duas da tarde”, a voz de Loh diz pelo chiado do rádio enquanto nosso trio germânico se manda para o deserto de Nevada pela manhã, com Las Vegas rapidamente ficando para trás, o sol ainda baixo no horizonte.

“Vamos falar sobre como eu nasci para dirigir o Audi R8 V10”, diz Kiino. “Cara, eu adoro o cheiro de 230 km/h pela manhã.” “Agora eu sei como o peão Slim Pickens se sentiu no final de ‘Dr. Strangelove’”, eu digo de trás do volante do SLS. “Dirigir essa coisa é como montar uma bomba atômica – exceto pelo equipamento de som de primeira.”

Se você quer especificações e números nas pistas, eles estão todos na tabela ao fim dessa matéria. Leia-os com atenção, e então leia de novo. Da primeira vez, você pode não acreditar em seus olhos (o carro mais lento aqui atinge 96 km/h em apenas 3,6 segundos). Nosso objetivo ao reunir esse trio, porém, era desfrutar dessas máquinas como o dono o faria – pisando fundo em áreas descampadas, berrando pelos trechos sinuosos desertos, simplesmente deixando sua maravilha fluir por horas.


De saída, uma coisa está clara: Como uma peça de estilo, o Porsche fica em um distante terceiro lugar. “Eu adoro um pouco de discrição”, afirma Loh. “Mas o 911 Turbo passa dos limites. Ele simplesmente desaparece se comparado aos outros dois.” Na chegada ao Bellagio, o manobrista quase não prestou atenção ao formato familiar do 911 Turbo. Em comparação, Kiino apelida o Mercedes SLS de “um destaque. Desde o capô comprido, passando pelas portas asa-de-gaivota, até a pintura prateada fosca... impossível não ser notado.” (Notado? Essa coisa é uma Paris Hilton sobre rodas – em Vegas, sempre que o Gullwing aparecia, transeuntes embasbacados sacavam suas câmeras de foto e vídeo dos bolsos ou simplesmente imploravam para sentar no banco do motorista.) Loh tem elogios semelhantes ao Audi: “Cabine avançada, nariz curto, como um jato Harrier. Estonteante.”

Deveria haver uma lei contra dirigir esses três foguetes a menos de 160 km/h. Qualquer coisa menos que isso e toda a brilhante engenharia, todo o equipamento digno da NASA, todo o esplendor de combustão interna, é tudo simplesmente desperdiçado. Lá na vastidão árida de Nevada, onde os grandes animais não se arriscam, estamos tentando ao máximo obedecer a essa regra informal. “Rápido? Minha-nossa-senhora, como esse 911 é rápido”, diz Loh do Turbo. Kiino tem uma visão semelhante: “Não afunde o pé no Turbo a não ser que você tenha as duas mãos no volante e você esteja no clima para passar da velocidade da luz.

Essa coisa é um monstro quando levanta fervura – até parece que ele tem motores a jato amarrados ao teto.” A maior parte dessa velocidade se deve aos 500 cavalos do motor 3.8 de seis cilindros, mas também um pouco à sublime transmissão PDK de sete velocidades e embreagem dupla acionada por borboletas no volante – que faz cada um de nós concordar que está tão próxima à perfeição quanto a Vênus de Milo ou mesmo um filme de Chaplin. O Benz grandalhão, motivado por um V8 6.2 litros naturalmente aspirado, não tem o atraso do 911 (mesmo com turbinas duplas, o Porsche precisa de um piscar de olhos para alcançar potência total). Em vez disso, quando você afunda o pé direito, ele simplesmente explode. E então você já está chegando a Idaho. “Descobri!”, Loh exclama. “


O SLS na verdade soa como uma motosserra flamejante movida a nitrometano cortando um foguete de combustível sólido.” Kiino resume suas impressões do tom do escapamento do AMG em duas palavras: “orgasmo auricular” Ainda que a Gullwing, como o Porsche, carregue uma transmissão de embreagem dupla e sete velocidades, ela não é nem de longe tão veloz. “Comparado ao Turbo, as trocas no SLS parecem requerer alguns décimos a mais”, observa Kiino. “Milissegundos dolorosos quando se está em modo de ataque.”

O V10 do Audi R8, diz Kiino, “é absolutamente uma joia. A velocidade chega sem esforço, o motor cantando docemente bem atrás de seus ouvidos.” Loh concorda: “O ronco do motor atingindo pela primeira vez sua espinha, sua nuca, seus ouvidos... pura mágica.” E ainda que todos concordemos que o exótico carro da Audi precise de uma transmissão automática-manual de embreagem dupla – ao menos como opcional – o câmbio manual de seis marchas irradia carisma. “Adoro o ruído mecânico ritmado enquanto se passa pela grelha metálica”, diz Loh. “Muito refinado e suave”, adiciona Kiino. “A embreagem também é uma moleza de operar.”


Durante uma breve parada para trocar de carros, tiramos um momento para apreciar a vista – três obras-primas metálicas emolduradas por um horizonte infinito e um céu de cinema. Loh suspira e então pergunta a esmo: “Vocês sabem o que eu mais gosto sobre esses carros?” “Eles todos combinam lindamente com seu relógio de camelô?” “Não. Eu gosto do fato de eles serem todos alemães, rápidos como o diabo, mas cada um é completamente único.”
Ed tem toda razão. Comparar esse trio é como tentar equiparar patê fois gras, pato com laranja e um hambúrguer de ambulante. “Eu quero um de cada” é o que você realmente quer dizer. Certamente são necessárias análises mais detalhadas. É hora de forçar essas belezas – ao extremo – por um trecho montanhoso tão sinuoso quanto uma minhoca.

Duas horas mais tarde, encontramos: A Estrada Perfeita. Melhor de tudo, ela está interditada (graças aos preparativos feitos de antemão com a Polícia Rodoviária da Califórnia). Ron entra no rádio: Preparar. Apontar...” E então ele se vai, sem se preocupar em compartilhar “Fogo” com Ed e eu, se lançando com o 911 Turbo pela primeira curva e ladeira acima. Loh se manda em meio a uma nuvem de fumaça dos pneus do SLS e eu saio em perseguição com o R8. Estamos à solta em um perímetro do deserto onde os pilotos da Marinha regularmente aprimoram suas habilidades fazendo rasantes sorrateiros a 950 km/h por sobre motoristas passeando desprevenidos. Nesse exato momento, estamos fazendo mais barulho do que os F/A-18 que eles usam.

Esqueça o bacará com Le Chiffre: essa é a bolada que nós três realmente esperávamos ganhar. Subimos morro acima, o pé direito levando os pedais ao chão sempre que possível, acionando as borboletas (Porsche e Benz) e cutucando a alavanca de câmbio (Audi), os pneus uivando nas curvas, motores nos imobilizando enquanto nossos alazões aparentemente cavalgam em direção às nuvens. No alto do morro, nós encostamos e descemos dos carros.
“Encontrou?”, pergunta Kiino. “O que?”


“Na segunda ou terceira curva, eu perdi todo o cuidado que eu tinha nesse mundo.” “Aquilo foi tão rápido”, Loh oferece, “agora estou dois meses mais jovem.” Após trocar de assentos pelo resto da tarde, impressões conclusivas chegam aos montes. “O SLS simplesmente tem aderência infinita”, afirma Loh. Kiino concorda: “Para um carro com um capô tão longo, é simplesmente impressionante como a frente do Benz morde forte.” Há críticas, porém, à condução desconfortável e bancos impiedosos do Gullwing. “Interior impressionante”, diz Loh, “mas, após algum tempo atrás do volante, eu tive dor nas costas.” Todos nós também tivemos alguns hematomas entrando e saindo dos carros.

O Porsche tem uma curiosa mistura de desempenho estrondoso e personalidade distante, quase antisséptica. “O som do escapamento é quase tão harmonioso quanto um liquidificador”, disse Kiino. “Se estivéssemos rodando a mais de 240 km/h, iria querer um motor cuja música – e não só sua musculatura – me fizesse querer acelerar ao máximo.” O Turbo provou-se tudo menos inabalável, no entanto, produzindo aderência incrível, parando com força enorme, nunca pisando em falso. “A direção também é sublime”, Loh adiciona.

Mas foi o Audi R8 5.2 que fez cada um de nós tecer comentários quase frívolos. “Condução inacreditavelmente boa para um supercarro de motor central”, Loh afirma. “Nada da aspereza do Porsche, nada dos cantos vivos do SLS.” “Meu Deus! Que máquina!”, nota Kiino. “Tantas qualidades que eu mal sei por onde começar. Calmo, tranquilo e seguro em velocidades de corrida – 290 km/h pareciam 190. Tão fácil de dirigir quanto um carro popular.” O V10 do Audi possui reservas aparentemente inesgotáveis de torque, basta pisar de leve, mesmo em sexta marcha, que a frente se ergue instantaneamente.


O som do escapamento em aceleração total pode mudar seu penteado. A cabine, com acabamento em bela fibra de carbono, é de muito longe a mais moderna e atraente do trio. E a forma do exterior... bem, não é surpresa que o super-herói Iron Man o ama mais do que WD-40 grátis. “Se eu tivesse um Audi R8 V10, sabe o que eu faria?”, pergunta Kiino. “Vendê-lo para pagar sua conta do frigobar?”

“Não. Eu desceria até minha garagem à noite e simplesmente ficaria olhando apaixonado – por horas.” “Ei, Ron”, responde Loh. “Você não precisa de um Audi de 170 mil dólares. O Art já faz isso com um espelhinho barato.”


1º lugar: AUDI R8 5.2
Estilo digno de uma galeria de arte, cabine digno de Gucci, desempenho furioso e civilidade abençoada. O supercarro alemão pelo qual você apostaria sua casa no cassino.


2º lugar: PORSCHE 911 TURBO
Aceleração capaz de criar buracos negros, aderência e freios monstruosos, brilhantes trocas no volante, conduta impecável. Incrivelmente, ele também pode parecer sem sal.

3º lugar: MERCEDES-BENZ SLS AMG
Estilo enorme, potência enorme, desempenho enorme. Mas ele é exaustivo conforme os quilômetros passam e é o mais delicado de dirigir próximo ao limite.







fonte: Auto Esporte / Arthur St. Antoine/New York Times Syndicate
Fotos: Brian Vance


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Sobre Erik Lara

Editor e fundador paulistano, tem 22 anos, estudante de marketing na Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. É apaixonado por carros esportivos e preparados desde os 6 anos de idade. Aos 17 anos resolveu criar o Age Of Sport Cars para ler, escrever e informar sobre aquilo que mais gosta.

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